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Como morador de Rondônia viveu seis décadas sem existir oficialmente

Homem viveu 60 anos sem existir oficialmente e sem saber a própria idade Durante seis décadas, Leandro Montes Silva viveu sem ter sua existência formalmente ...

Como morador de Rondônia viveu seis décadas sem existir oficialmente
Como morador de Rondônia viveu seis décadas sem existir oficialmente (Foto: Reprodução)

Homem viveu 60 anos sem existir oficialmente e sem saber a própria idade Durante seis décadas, Leandro Montes Silva viveu sem ter sua existência formalmente reconhecida. O morador de Nova Mamoré (RO) recebeu seu primeiro documento em dezembro de 2025, graças a uma ação da Defensoria Pública de Rondônia. Leandro cresceu sem conhecer sua verdadeira origem, nem mesmo a própria data de nascimento. As lembranças da primeira infância são vagas e fragmentadas, e não há ninguém vivo ou em plena lucidez capaz de revelar de onde ele veio ou o que aconteceu com seus pais. Ainda muito pequeno e sem família, Leandro oferecia trabalho em troca de abrigo. Nunca chegou a ser adotado. "Por volta dos 9 anos foi trabalhar na casa de senhor, não como filho adotivo, mas para trabalhar com ele. Ninguém que é vivo hoje sabe quem são os pais dele, apenas ouviram falar que a mãe se chamava Maria", conta a defensora Eryca Rubielly, que acompanhou o caso de Leandro. Para definir sua idade, Leandro precisou do testemunho de pessoas que conviveram com ele durante a infância, além de uma perícia realizada pelo Instituto Médico Legal (IML). O laudo, elaborado por uma odontóloga do órgão, indicou que o homem tem aproximadamente 56 anos de idade. LEIA TAMBÉM: Cadela resgatada após ser arrastada por tutor é diagnosticada com câncer e batizada de 'Vitória' em RO Justiça suspende cobrança de pedágio na BR-364 em Rondônia Segundo a defensora Eryca Rubielly, a falta de documentação impôs dificuldades severas à vida de Leandro, principalmente no acesso a direitos básicos: saúde, assistência social e cidadania. "Como sobreviveu eu não sei te dizer, mas sabemos que ele nunca frequentou escola, nem hospitais. A vida dele é e sempre foi na zona rural", comenta Eryca Rubielly. Leandro que fez a primeira certidão de nascimento com quase 60 anos DPE-RO Leandro procurou a Defensoria pela primeira vez em 2013, mas a falta de informações básicas sobre sua vida impediu o andamento do processo. Em 2024, com o avanço da tecnologia e novos mecanismos de investigação, ele voltou ao núcleo da instituição, que retomou o caso. Entre as entidades acionadas para verificar a inexistência de registros estavam a Polícia Civil, a Polícia Federal, o Tribunal Superior Eleitoral. Até o Consulado da Bolívia, país vizinho a Nova Mamoré, foi consultado, para descartar a possibilidade de Leandro ter sido registrado por lá. Somente após o esgotamento de todas as possibilidades foi possível avançar judicialmente. “Especialmente em áreas de fronteira, há sempre muita cautela com registros tardios, a fim de evitar algum tipo de duplicidade. Por isso precisamos esgotar a possibilidade de que Leandro já tivesse qualquer tipo de registro”, explicou. O processo teve início em 2 de fevereiro de 2024 e foi concluído em 5 de dezembro de 2025. Como não havia uma data exata de nascimento, Leandro escolheu o dia 25 de julho de 1969 — o mesmo aniversário de sua esposa — como uma homenagem. Atualmente, morando em Nova Mamoré, Leandro poderá, a partir da certidão de nascimento, acessar serviços essenciais como emissão de CPF, atendimento pelo SUS e benefícios sociais. Leandro Montes Silva viveu por 56 anos sem ter sua existência reconhecida juridicamente DPE-RO